ESSE É O FIM



ESSE É O FIM - Por Paulo Siuves

    Vou lhes contar como foi o meu fantástico retorno ao lugar onde jamais estive e como fui aclamado com gritos e brados de vivas por uma multidão de mudos. Uma avenida se estendeu ante mim e conduziu-me à ausentes abraços, beijos inexistentes, risos sarcásticos, promessas de amor eterno, olhares lânguidos e carregados de paixão e sanha!

     Vejo gente morta andando pelas praças como se ainda sangue corresse-lhes nas veias emurchecidas, perfuradas, injetadas por agulha infectada. Estou seguindo cegos, sendo guiado por loucos. Estou comendo gelo, alimentando-me de nuvens. Comendo ondas do mar, bebendo visões do deserto. Ilusões maléficas enredaram como lantejoulas em renda pobre.

     Beber uma cachaça não é meu feitio, lanço dardos ao alvo e nunca acerto. Peço que me pague uma bebida e nunca aceito. Eu mesmo não bebo! Minha língua está seca e colou no apgar. Um terrível de Matancã me estendeu o cajado e guiou meus passos por pastos flamejantes como lavas eruptivas do coração. Desde o Matancã eu retornei e nunca sopeei aquelas terras! E esse é o fim.

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