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Louco

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Por: Paulo Siuves

Jogo de carne viva

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Jogo de carne viva Sensível, esse teu amor que me oferece numa bandeja de carne viva, delicio-me com esse cheiro que me torna todo num sensor olfativo e te persigo como um vampiro hemo-sedento, se te alcanço, sinto o quão sensível é esse teu amor. Num jogo de vida e não, nunca de morte, e meus pulsos saltam ao toque dos meus lábios no teu ventre, esse vinho que transforma meus delírios numa indecente escalada ao vértice do que pode ser o monte da promessa, torna-me insensato no que tange o perigo, há um dia a ser vencido... Seu indiscriminável sussurro acorda o meu ego e quero tudo que existe sobre essa bandeja de uma sensível carne viva. Meu asco não  existe e minha vida vai, não importa, não agora, esse teu amor, esse teu gemido inexprimível que outrora me disse-me “AMO-TE”, agora não exprime sequer uma palavra para aplacar esse meu conturbado êxtase, um gozo sublime, quase subliminar, não impediu os movimentos antes frenéticos e ofegantes, agora sensíveis acalentos ...

Inocência

Inocência Se eu fosse uma criança, falaria candidamente tudo o que tenho em meu coração; sentimentos, aflições, desamor, desilusão. Contaria a você o meu maior segredo sem pensar se o guardarias ou delatarias a outrem! Bastaria ser uma criança e eu poderia me deitar em teu colo, não seria repreendido ao beijar a  tua boca, pois seria “inocente” sem segundas intenções. Minhas mãos em tuas pernas não seriam percebidas, pois nas mãos de uma criança, que maldade pode haver? Sonho, como uma criança, em correr para os seus braços, encontrar neles abrigo pro meu coração que já está cansado de viver na ilusão de encontrar um amor tão inocente assim, inocência de criança. Por Paulo Siuves

Gestos e atos

Gestos e atos Sou cadeia sua e sua liberdade Sou seu silencio, suas queixas! Sou mais que ódio, seu grande amor. Sou luz e som, frio fogo calor antártico. Sou bem direito, direto e mero, Colibris e cruz, sou lona e nocaute; Sou paz e tempestade... Sou mar, seu oceano, sou seu, sou meu, sou nada. Sou carta, sou cartaz, seus gestos e atos. Sou certeza de incerteza, sou combinável com você. Sou as cores por te ter. Sou arco e flecha, tábua-de-tiro-ao-alvo, Sou a mosca, sou meta. Sou tão só, sou fome de amar, sou sua sede de amar. Sou ciúmes, sou seu lado de fora. Sou o lado mais claro, sou cartão sob a chuva Sereno luar, calor sem se dar, Se dando no ar, sou você por falar. Por: Paulo Siuves

Passe Livre

  Passe Livre Essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fato real é mera coincidência. O cobrador do coletivo tentava explicar, em vão, diga-se de passagem, a uma senhora que ele era apenas um empregado e que estava apenas fazendo cumprir o seu papel como agente de bordo. Nome “científico” para cobrador, em alguns lugares ele é o trocador, que no fundo é trocar seis por meia dúzia. É engraçado quando alguém contesta a razão dos tripulantes das naves dos asfaltos urbanos, porque sempre outros passageiros se envolvem na discussão, às vezes querem reivindicar a posse da razão, outras vezes só para sair da condição de mero expectador. Alguns ficam a favor dos trabalhadores do trânsito. Outros são ferrenhos defensores de causas irrelevantes, perdidas mesmo. Querem a qualquer custo fazer valer a sua voz a favor dos passageiros, porem brigam com quem menos pode alguma coisa: o cobrador e o motorista. Os últimos a falar e os primeiros a responderem pelo ocorrido. Já ...

Coletâneas e Antologias

Algumas coletâneas e Antologias que participei são.  Participei de muitas, algumas são... * I Coletânea de Microcontos do Clube de Autores - Histórias que cabem em 140 caracteres * Coletânea Entrelaçados – Projeto Apparere, editora Perse * Cena Poética 2,3 e 4 – Organizador Rogério Salgado * Livro “PRÊMIO LUSO BRASILEIRO” – Organizadora Izabelle Valladares, Literarte * Contos de Outono - Edição Especial 2013, pela editora CBJE. * 38ª, 44ª e 64ª edições do PALAVRA É ARTE – Organizador Gilberto Martins, editora Cultura Editorial. * Prosa e Verso Vol.V – ANELCA e ALB/MG-RMBH, Editora O Lutador * 100 Melhores poetas Lusófonos Contemporâneos 2018 – Organizadora Izabelle Valladares, Editora Mágico de Oz. * 365 Dias Melhores – Reflexões e Pensamentos Positivos – Organizadora Izadora Valladares, editora Mágico de Oz  * 1ª Antologia do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa, Vozes Portuguesas Coletânea...

Foi bom sim

Foi bom sim Foi bom te ouvir pela primeira vez, como foi bom te conhecer. Foi bom te ver e ver que você foi sincera. Foi bom falar sobre segredos tão bem guardados. Foi bom guardar segredos que nunca poderão ser falados. Foi bom sim dizer que te amei dizer que te quis como nunca quis ter outra mulher na minha vida... (nunca tive esse prazer) foi bom te ligar e ligar para as coisas importantes pra você. Foi bom sonhar; Foi mentir; foi bom falar; foi bom ouvir; foi bom ser seu amigo; foi bom chegar até você... Foi melhor te deixar ir!

Eu quero é Deus

  Eu quero é Deus Eu quero Deus, mas não quero esse capitalismo hediondo e profano de dentro das nossas congregações e de sobre os altares eletrônicos pulverizados por todos os meios de comunicação, desde o mais antiquado rádio monofônico, passando por televisores coloridos e vídeo de plasma, até a mais rápida conexão via Internet. Eu quero Deus, mas não quero esse disparate que se transformou as aberturas de novos templos para a formação de pé-de-meia de inoportunos oportunistas incompetentes que se fazem de rogados em trajes de “crentes” como se cristãos fossem. Eu quero Deus, mas não quero compactuar com a difusão da fome em nome do sagrado dizimo que só faz dizimar crianças, enlouquecer pais incautos e deprimir mães que defendem com sacrifício o sagrado direito de seus rebentos ao café com pão nosso de cada dia. Eu quero Deus, não um deus que manda atacar o Iraque em nome do capitalismo e do neobobismo, fruto de uma geração corrompida e distanciada dos valores c...

Eu fugí

Eu fugí Hoje eu decidi fugir de casa Como um adolescente cheio de si Quando todo mundo menos esperar Vão descobrir que eu fugi Não penso se, ou talvez, ou quem sabe... Estou até cansado de pensar Sou tão imaturo e egoísta e infantil Que essa decisão não pode mais esperar Aonde vou, como, quando e porque, Meia dúzia de três ou quatro o sabem. Não sou forte o bastante para lutar Contra o destino, que o matem! Alguém vai morrer, não sei; Digo sempre que não sei, ou esqueci. Quando todos descobrirem Vão dizer: – “Covarde...”, eu fugi. Por: Paulo Siuves

E se?! (O grito)

E se?! (O grito) E se ninguém mais quiser ter filhos? Se um dia descobrirmos que  não existem mais crianças,  como se tivessem cassado as parturientes  para não mais ouvirem o choro dos bebês?  Para ninguém mais se sentir envelhecido  ao ser chamado de vovô e vovó? E se ninguém mais quiser votar nas próximas eleições?   Descrentes nos políticos e em seus  meios inexoráveis de fazer política.  Se os estudantes não se candidatarem  à ocupação de cargos públicos  com fobias ao poder que corrompe, corrói, mata, dói??? E se ninguém mais quiser acreditar quando alguém,  olhando nos olhos, com as mãos trêmulas e úmidas,  sentindo a garganta seca, apertada,  como se houvesse se dado um nó,  usando de toda sinceridade disponível  para abrir a boca para dizer o que todo mundo deseja ouvir  de outro alguém com quem se tem sonhado acordado,...

E então, José?

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E então, José? E então, José? O que vai ser da tua vida? Quem pode perdoar as tuas falhas e ignorar os teus pecados? Agora podes chorar, queres gritar, pensas se foges ou compra a briga da tua alma. Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida. Queres uma vida regalada ao lado de tua Lia, ou queres passar junto de tua Maria? E então, José, o que vai ser agora? Mentes para mim, para mim mesmo e para a tua parentela. Vai, José, entra no teu inferno, vede onde te perdeste e onde a tua mentira te consumia. E agora, José? Medes o tempo com um caniço, meça  e peça que se abrevie um dia. Quem lê os teus olhos como ela? Quem pode, José, como a tua lia? Queres a vida que tens, que podes ter, sabes que não é tua a prenda, fugidia. Não podes, José. Contente-se com a tua lida. E agora, José? O pano vai fechar o palco, as luzes vão se apagar, o artista volta a ser um filho de Deus, criatura errante, vida conturbada, tuas dívidas, teus pecados, e então, José, é a vida, as...

Derradeiro poema

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Derradeiro poema   se eu expirasse hoje, este seria meu ultimo poema, eu queria que fosse à Deus. meu ultimo poema seria a oração derradeira como a oração de São Francisco, como o Pai Nosso de Jesus Cristo. o céu na terra, a terra santa, a santa igreja, a igreja e o céu... quero orar pela paz, que seja reza reza em coro, acorde perfeito ao Deus perfeito... se fosse meu ultimo poema,  se fosse esse o derradeiro assim quereria meu ultimo soneto. a oração do poema derradeiro. Por: Paulo Siuves

Depoimentos

Depoimentos A verdade depõe  contra você A mentira depõe contra todos nós A segunda-feira depõe contra o weekend A semana depõe contra quem? A informática depõe contra o trabalhador braçal A luz depõe contra o mentiroso A analogia depõe contra o seu opositor verbal A critica depõe contra o culto ao trash A música depõe contra o governo A saga depõe contra o sedentário A longanimidade depõe contra o vício A lagrima depõe contra a brutalidade A vida depõe contra legiões de demônios A letra depõe contra o fraco A analfabetização depõe contra você mesmo A soberania depõe contra si mesma, soberanamente. A neocolonização depõe contra os neobobões. A guerra depõe contra a soberania A morte depõe contra o rude coração de pedra A lógica depõe contra essa inscrição A miscelânea depõe contra alguma coisa A pedra depõe contra também A sentinela depõe contra a hora, custa a passar... A noite depõe contra o sol A lua depõe contra o preconceit...

Sô Zerô

Sô Zerô Essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fato real  é mera coincidência. O som do surdo reverberava sua tristeza pelas ruas do pelourinho. Os bêbados da cidade choravam a morte de seu Zerô. Baiano nato, baionense convicto, funcionário público por profissão desde os dezenove anos de idade, muito antes de se casar com Vera e se tornar alcoólatra por diversão. A cirrose devorou sua juventude e  o tolheu aos trinta e oito anos. Ninguém acreditava nisso, que ele tinha apenas trinta e oito anos, sua aparência era de quem tinha pelo menos dez anos mais, e ele tirava proveito disso como sendo de mais responsabilidade. Mas isso não era importante naquele momento, nem o fato de ter deixado três filhos para Vera cuidar e educar, mais dois filhos pelas vielas da Bahia. Seus filhos com Vera são bonitos, digo, seu filho e suas filhas, baianas fogosas e talentosas na música e na culinária, herdaram da avó materna, porque a mãe não sabia fritar um acarajé n...

Corvo Negro

Corvo Negro Um dia o corvo agourento das noites Fez, sobre mim, um  voo  rasante; Ao mal dos poetas quase dei a mão Mas a sorte deu-me um vazante Corvo negro de asas horríveis Essa noite não, passe de mim essa tua sorte; Todos sabem muito bem que Deus é bom E não selou ainda a hora da minha morte Quando chegar a hora, corvo negro agourento, Venha jovial e cortês, como a dama da noite, Perfumada e ornada, preparada pr’o prazer. Mas não venha como um mito, numa noite sem alento A erguer sobre meu pescoço a tua foice Se assim for, açor cruento, vou te reconhecer... Por: Paulo Siuves  

Chance

Chance Só agora começo a perceber o quanto fui tolo em deixá-la partir sem nada dizer, como se fosse o melhor para nós dois, amor, desde esse dia sinto o vazio que sua ausência deixou em meu coração, sem você em minha vida sou uma mera metade... Só agora começo a entender o quanto perdi tentando encontrar consolo em outro colo, ouvindo sua voz dizendo que me ama em outra boca que não tem o teu belo sorriso, imaginando que aquele beijo pudesse ter o sabor dos teus beijos que sacia a minha sede. Só agora, sozinho, fico quieto buscando no fundo do meu coração, um conforto e só agora consigo encontrar a sua imagem e me apego à certeza de que te amo e que preciso, com urgência, te reencontrar para sermos novamente felizes. Só agora consigo por de lado o meu orgulho e pedir que volte, com todo o meu ser, por favor, volte!! E se me deres uma nova chance de ter você de volta pra mim, então terei conseguido ter tudo o que um homem  deseja ter,...

Certezas

Certezas      Essa humana indecisão, furtiva desesperada... imprecisa como o planger de uma guitarra desafinada!      Terráqueos são indecisos; se entrarmos numa sala com inúmeras poltronas desocupadas, paramos, olhamos, pensamos, nos movemos para um lado e (...) nos assentamos lá, bem onde não queríamos!      Se entrarmos num banheiro com vários depositários de louças idênticos, olhamos uns três antes de nos decidirmos por um deles.      E com o namoro? São vários e nunca nos casamos com aquela pessoa que achamos que é a pessoa do nosso sonho...          Até mesmo com ceticismo imperante, temos dúvidas quanto à religião a seguir, em que banco investir, a qual canal assistir!?     E nos dizemos senhores dos nossos caminhos, como se soubéssemos de onde viemos e para onde vamos.       Quanta certeza temos, heim?! Por : Paulo Siuves

Passeio no shopping

Histórias de ônibus Essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fato real é mera coincidência. Passeio no shopping      Quando a imaginação da gente toma liberdade de voar e, nessas divagações, respostas começam a pulular para uma simples pergunta, em princípio normal, inocente, a gente descobre o quão cruel à humanidade pode ser com seus semelhantes... Acredite, ao menor “vacilo” que alguém cometer, um outro vai rir às lágrimas e imaginar alternativas humilhantes para satisfazer-se da desgraça alheia.    Imagine um grupo de adolescentes voltando da escola! Elas entram no ônibus fazendo aquele estardalhaço costumeiro da idade e, de repente, um deles faz uma besteira qualquer, comete qualquer tipo de deslize... A ridicularização é inevitável.  Brincadeira irônica provoca uma reação generalizada e mal-intencionada dado seu caráter detrator e humilhante que o “pagador de mico” sofre.      Voltemos à nossa hist...

Caminhos

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Paulo Siuves Caminhos Parece, às vezes, que o mundo desabou sobre a minha cabeça. É tanta dor e solidão que preenche o meu coração, Cada cantinho, cada vazio cheio de poeira do tempo; Nem toda lágrima que eu pudesse chorar lavaria... Que escuridão, veja a luz, seja bem vindo, sol!!! Queria que minha casa fosse num campo florido Para, na parede da sala, colocar o meu retrato em tamanho natural Quando tanta coisa que poderia me fazer feliz Parece sempre estar do outro lado do planeta! Tenho a impressão que o melhor , nessa vida pífia Tão indiscreta, é me entregar à ilusão. O caminho que eu tenho pra seguir, Se não é largo cheio de companhia, tendo bares e roletas É outro, caminho estreito, são poucos os que acertam com Ele Caminho de paz, caminho de luz, Se este caminho vai dar na porta do céu Quero seguir, quero forças, quero passar pela porta... Por:  P...