Se For Permitido
Paulo Siuves
Eu queria te beijar
e que esse beijo
fosse santo, desejado.
Fosse permitido,
lascivo, mas consensual.
Queria que você desejasse
me beijar até não sobrar
uma parte sequer
dos nossos corpos,
sem reagir, só pulsar.
Queria sua boca,
com ou sem batom,
seus olhos semicerrados,
seus braços me cercando,
e suas coxas me querendo.
Ah, minha amiga…
Como eu queria ser
completamente seu:
seu amante,
seu namorado,
seu amigo,
seu apaixonado.
Queria que meu peito fosse
sua morada, e que em mim
seus desejos encontrassem
abrigo, deságue,
fossem saciados — todos os dias.
Meus desejos te querem.
Minhas mãos te buscam.
Meus olhos te perseguem.
Meus lábios te chamam…
Meu Deus,
não peço pureza — peço coragem.
Se este desejo nos atravessa,
que não seja em vão.
Permite que nossos corpos
digam o que a boca cala,
que este beijo aconteça
sem culpa, sem pressa, sem disfarce.
E se for pecado,
que seja inteiro.
E se for amor,
que não espere.
Que comece agora —
na urgência da minha boca.
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