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E então, José?

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E então, José? E então, José? O que vai ser da tua vida? Quem pode perdoar as tuas falhas e ignorar os teus pecados? Agora podes chorar, queres gritar, pensas se foges ou compra a briga da tua alma. Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida. Queres uma vida regalada ao lado de tua Lia, ou queres passar junto de tua Maria? E então, José, o que vai ser agora? Mentes para mim, para mim mesmo e para a tua parentela. Vai, José, entra no teu inferno, vede onde te perdeste e onde a tua mentira te consumia. E agora, José? Medes o tempo com um caniço, meça  e peça que se abrevie um dia. Quem lê os teus olhos como ela? Quem pode, José, como a tua lia? Queres a vida que tens, que podes ter, sabes que não é tua a prenda, fugidia. Não podes, José. Contente-se com a tua lida. E agora, José? O pano vai fechar o palco, as luzes vão se apagar, o artista volta a ser um filho de Deus, criatura errante, vida conturbada, tuas dívidas, teus pecados, e então, José, é a vida, as...

Derradeiro poema

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Derradeiro poema   se eu expirasse hoje, este seria meu ultimo poema, eu queria que fosse à Deus. meu ultimo poema seria a oração derradeira como a oração de São Francisco, como o Pai Nosso de Jesus Cristo. o céu na terra, a terra santa, a santa igreja, a igreja e o céu... quero orar pela paz, que seja reza reza em coro, acorde perfeito ao Deus perfeito... se fosse meu ultimo poema,  se fosse esse o derradeiro assim quereria meu ultimo soneto. a oração do poema derradeiro. Por: Paulo Siuves

Depoimentos

Depoimentos A verdade depõe  contra você A mentira depõe contra todos nós A segunda-feira depõe contra o weekend A semana depõe contra quem? A informática depõe contra o trabalhador braçal A luz depõe contra o mentiroso A analogia depõe contra o seu opositor verbal A critica depõe contra o culto ao trash A música depõe contra o governo A saga depõe contra o sedentário A longanimidade depõe contra o vício A lagrima depõe contra a brutalidade A vida depõe contra legiões de demônios A letra depõe contra o fraco A analfabetização depõe contra você mesmo A soberania depõe contra si mesma, soberanamente. A neocolonização depõe contra os neobobões. A guerra depõe contra a soberania A morte depõe contra o rude coração de pedra A lógica depõe contra essa inscrição A miscelânea depõe contra alguma coisa A pedra depõe contra também A sentinela depõe contra a hora, custa a passar... A noite depõe contra o sol A lua depõe contra o preconceit...

Sô Zerô

Sô Zerô Essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fato real  é mera coincidência. O som do surdo reverberava sua tristeza pelas ruas do pelourinho. Os bêbados da cidade choravam a morte de seu Zerô. Baiano nato, baionense convicto, funcionário público por profissão desde os dezenove anos de idade, muito antes de se casar com Vera e se tornar alcoólatra por diversão. A cirrose devorou sua juventude e  o tolheu aos trinta e oito anos. Ninguém acreditava nisso, que ele tinha apenas trinta e oito anos, sua aparência era de quem tinha pelo menos dez anos mais, e ele tirava proveito disso como sendo de mais responsabilidade. Mas isso não era importante naquele momento, nem o fato de ter deixado três filhos para Vera cuidar e educar, mais dois filhos pelas vielas da Bahia. Seus filhos com Vera são bonitos, digo, seu filho e suas filhas, baianas fogosas e talentosas na música e na culinária, herdaram da avó materna, porque a mãe não sabia fritar um acarajé n...

Corvo Negro

Corvo Negro Um dia o corvo agourento das noites Fez, sobre mim, um  voo  rasante; Ao mal dos poetas quase dei a mão Mas a sorte deu-me um vazante Corvo negro de asas horríveis Essa noite não, passe de mim essa tua sorte; Todos sabem muito bem que Deus é bom E não selou ainda a hora da minha morte Quando chegar a hora, corvo negro agourento, Venha jovial e cortês, como a dama da noite, Perfumada e ornada, preparada pr’o prazer. Mas não venha como um mito, numa noite sem alento A erguer sobre meu pescoço a tua foice Se assim for, açor cruento, vou te reconhecer... Por: Paulo Siuves  

Chance

Chance Só agora começo a perceber o quanto fui tolo em deixá-la partir sem nada dizer, como se fosse o melhor para nós dois, amor, desde esse dia sinto o vazio que sua ausência deixou em meu coração, sem você em minha vida sou uma mera metade... Só agora começo a entender o quanto perdi tentando encontrar consolo em outro colo, ouvindo sua voz dizendo que me ama em outra boca que não tem o teu belo sorriso, imaginando que aquele beijo pudesse ter o sabor dos teus beijos que sacia a minha sede. Só agora, sozinho, fico quieto buscando no fundo do meu coração, um conforto e só agora consigo encontrar a sua imagem e me apego à certeza de que te amo e que preciso, com urgência, te reencontrar para sermos novamente felizes. Só agora consigo por de lado o meu orgulho e pedir que volte, com todo o meu ser, por favor, volte!! E se me deres uma nova chance de ter você de volta pra mim, então terei conseguido ter tudo o que um homem  deseja ter,...

Certezas

Certezas      Essa humana indecisão, furtiva desesperada... imprecisa como o planger de uma guitarra desafinada!      Terráqueos são indecisos; se entrarmos numa sala com inúmeras poltronas desocupadas, paramos, olhamos, pensamos, nos movemos para um lado e (...) nos assentamos lá, bem onde não queríamos!      Se entrarmos num banheiro com vários depositários de louças idênticos, olhamos uns três antes de nos decidirmos por um deles.      E com o namoro? São vários e nunca nos casamos com aquela pessoa que achamos que é a pessoa do nosso sonho...          Até mesmo com ceticismo imperante, temos dúvidas quanto à religião a seguir, em que banco investir, a qual canal assistir!?     E nos dizemos senhores dos nossos caminhos, como se soubéssemos de onde viemos e para onde vamos.       Quanta certeza temos, heim?! Por : Paulo Siuves

Passeio no shopping

Histórias de ônibus Essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fato real é mera coincidência. Passeio no shopping      Quando a imaginação da gente toma liberdade de voar e, nessas divagações, respostas começam a pulular para uma simples pergunta, em princípio normal, inocente, a gente descobre o quão cruel à humanidade pode ser com seus semelhantes... Acredite, ao menor “vacilo” que alguém cometer, um outro vai rir às lágrimas e imaginar alternativas humilhantes para satisfazer-se da desgraça alheia.    Imagine um grupo de adolescentes voltando da escola! Elas entram no ônibus fazendo aquele estardalhaço costumeiro da idade e, de repente, um deles faz uma besteira qualquer, comete qualquer tipo de deslize... A ridicularização é inevitável.  Brincadeira irônica provoca uma reação generalizada e mal-intencionada dado seu caráter detrator e humilhante que o “pagador de mico” sofre.      Voltemos à nossa hist...

Caminhos

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Paulo Siuves Caminhos Parece, às vezes, que o mundo desabou sobre a minha cabeça. É tanta dor e solidão que preenche o meu coração, Cada cantinho, cada vazio cheio de poeira do tempo; Nem toda lágrima que eu pudesse chorar lavaria... Que escuridão, veja a luz, seja bem vindo, sol!!! Queria que minha casa fosse num campo florido Para, na parede da sala, colocar o meu retrato em tamanho natural Quando tanta coisa que poderia me fazer feliz Parece sempre estar do outro lado do planeta! Tenho a impressão que o melhor , nessa vida pífia Tão indiscreta, é me entregar à ilusão. O caminho que eu tenho pra seguir, Se não é largo cheio de companhia, tendo bares e roletas É outro, caminho estreito, são poucos os que acertam com Ele Caminho de paz, caminho de luz, Se este caminho vai dar na porta do céu Quero seguir, quero forças, quero passar pela porta... Por:  P...

Bate outra vez

Bate outra vez Bate a emoção De ver em teus olhos castanhos O brilho que foge de um coração apaixonado Bate outra vez Ao ouvir dos teus lábios A confissão de amor Meus ouvidos, teus átrios. Bate tão forte Como quem forja uma espada Queima em brasas vivas Não podes ouvir? meu coração trespassa. Bate? Então bate. Em silêncio diz que me ama, Como o surdo-mor, fala mais alto. Bate, ame, bate, sofre. Ouça, amo-te... Por: Paulo Siuves

Bandeira Esperança

Bandeira Esperança Quando penso em todos os esforços de muitos por ai em prol de tantas bandeiras levantadas pelos quatro cantos da terra e sendo defendidas com lágrimas, suor e sangue, só respondidas por palavras e palavras, são tantas as palavras pelo ar que vão e vem como as ondas do mar e às vezes são tão bonitas e brilhantes como o pôr-do-sol que enchem os olhos, alguns olhos azuis, outros verdes como a esperança desses tantos que empunham essas bandeiras lavadas em lágrimas, lágrimas de quem vê as crianças pelas ruas, crianças que geram crianças e são rejeitadas, como se tivessem nascidas numa nação sem bandeira, uma bandeira molhada no suor de um povo sem terra, que marcha sob o sol e pede clemência, pede o direito de plantar e ter o orgulho de levantar uma bandeira, uma bandeira manchada de sangue dos animais que vão se extinguindo e dos homens que tentam evitar que os nomes desses animais sejam apenas lembranças, de tantas esperanças, lembranças de tantas bandeiras banh...

Pequena brincadeira na hora do almoço.

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Pequena brincadeira na hora do almoço noParque Municipal Fazenda lagoa do Nado. Paulo Siuves                             - Baixo Rodrigo Magalhães                   - Bateria Carlos                                       - Guitarra Wallisson Serra                         - Teclado Ricardo Nascimento                  - Sax alto Sylvio Nascimento     ...

As quatro estações

As quatro estações Ah, como é bom quando chega o inverno! E eu sinto a minha pele fria Tocar a sua pele quente, sob a luz da lua, Que alumia sutilmente a escuridão do nosso leito. Sim, como é bom quando vem chegando a primavera... O teu perfume pelos campos plagiado pelas flores Eu respiro esse cheiro que exala do teu corpo E, louco, foge para o campo onde as flores o copiam. Sinta, quão gostosa é a chegada do verão Tua pele se bronzeia pelo astro generoso Mas por ti estão ocultas ao generoso sol Caminhos que não são segredos para mim Eis que enfim chegou o triste outono, Trouxe em mãos manhãs acinzentadas Mas quando acordo ao teu lado, amor da minha vida, Até as tristes manhas de outono, são eternos momentos de prazer... Por Paulo Siuves

Haja Paciência

Histórias de ônibus Essa é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fato real é mera coincidência. Haja Paciência      A gente sempre ouve aquele bordão da TV: – Pergunta idiota, tolerância zero!!!      Mas convencionemos uma coisa, pra trabalhar dentro de coletivos urbanos, dar quatro, seis, oito viagens por dia, há de se ter saco de papai Noel pra vencer a jornada e se esforçar para não se lembrar do dia por vir.      Concordo que, às vezes, não dá tempo de formular uma pergunta antes de abordar um desavisado com uma interpelação mais que objetiva na hora do aperto nosso de toda hora, mas não entendo como, imediatamente após a abordagem, o interpelado responde com um irreverente, sarcástico toma-lá-dá-cá...O riso é irreprimível e totalmente desculpável, apesar de ser inconveniente, tal situação o perdoa.      Por exemplo: Uma situação que acontece todos os dias nas grandes cidades onde o tran...

Arquivo queimado

Arquivo queimado    Começou cedo uma carreira criminal, o carinha queria mesmo divertir-se a valer, festinhas caras, garotas raras, intenso prazer.    Descolou com amigos um trampo legal, afastava a imagem de um delinquente animal, sabia as esquinas de fácil acesso, a erva leva a conhecer esse pequeno universo. Um sexo promiscuo e chato fazia o tempo passar numa boa, amigos sumindo, sonhos iludidos, parentes apontavam o fraco caráter.    O risco corria para viajar numa boa, a dose mais cara forçava a barra, o assalto não demorou a chegar, uma nove milímetros, proteção a guiar.    Conheceu a barra fria, o pau-de-arara e o chorar. Envolveu-se ainda mais com a vida secular. Do lado de dentro comandou operações, vendo o sol nascer quadrado machucando os corações.    Conseguiu a redução da sua pena, não sabia que ao sair ele sumiria de cena, na avenida a luz maçante de muitos anos seguidos, sob escadas desce escadas c...

Aqui tem

Aqui tem Aqui tem quem tem, quem não tem também tem. Aqui tem quem quer ter, e tem quem não quer ter. Tem também quem tem quem não tem, mas quem não tem não tem quem tem.  Tem quem tem querer, quem querer quer ter, quem não quer ter? Quem querer quer ter tem que ter quem tem. Quem tem quem tem simplesmente tem, mas quem tem quem não tem, pensa que tem, mas nada tem, pois tem quem quer ter, e quem quer ter não tem querer, ou quer sem querer.  Quem tem, tem querer, ou quer sem querer, mas tem porque tem. Quem não tem querer, quer sem ter poder de querer. Diz o ditado “- Eu que sou eu não tenho querer, ‘ocê querer quer ter?”. Enfim: Quem tem, tem. Quem não tem, tivesse... Por: Paulo Siuves

Apenas eu

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Apenas Eu Agora não canto, não vibro, Não escreve poemas, não faço poemas, Não musico uma letra ou enletro uma melodia. Faço caras e bocas, mas não sai arte de mim; Não sou um artista completo, Sou sem-palco, sem boleia, Sem leitores, sem platéia. Quimeras aos montes, apenas quimeras. Quem me deras se eras daquelas, Não és, não somos, não sou... Falo errado, pintar não sei, Escória, estória, histeria de dentro de mim! Vou gritar, não consigo cantar. Aos prantos, não consigo escrever. Quero voltar a ser eu, apenas eu. Por: Paulo Siuves

Angustia

Angustia Eu não sei quem você é não sou eu o que você quer e não tenho pra onde ir se comigo você não estiver Não vou ouvir os seus discos Não vou ler suas cartas Não vou influenciar as suas decisões Essas portas não são tão largas Seus sonhos meus ideais Seus dias, minha alegria Meu choro, seu objetivo Sem mim suas noites são mais legais Seus frêmitos, minha angustia seu orgasmo sem motivo. Por: Paulo Siuves

Adoro o tango

Adoro o tango Aaah, o tango... Hum, a valsa... Nossa, cada dança por si só já é um começo de amor, o meio de um "se dar" o fim de um novo espetáculo, cada qual a seu tempo com seu ritmo, com sua pulsação. Pulsação. Pulsação... O sangue fervendo nas veias, a luxuria gritando na cabeça... Meu Deus, o que é isso. Adoro o tango, Ver alguém dançando, dançar enquanto o calor aumenta e o descompasso da alma se cura com a cadência da música. Sentir a valsa dos apaixonados, o tango dos enamorados, o forró de cada dia. Pena que eu não sei dançar... Por: Paulo Siuves

Abelhas falecidas

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Ficção - Por Paulo Siuves Abelhas falecidas Ontem eu tive de sair mais cedo do trabalho contra minha vontade, graças ao ataque de um bichinho que deu muito trabalho, ou melhor, uma colônia deles. As abelhas africanas, assanhadas por um mecânico de elevadores desprevenido, começaram a atacar as pessoas, tinha mulher gritando, homem parecendo mulher, tinha até um cara que parecia mais forte que o fumacê dos bombeiros civis treinados para enfrentar esse tipo de situação, mas na hora do “vamovê” arriou as quatro rodas defronte dos bichinhos que não desanimaram diante do veneno, nem das fumaças que usaram pra enfrentar o ataque. O prédio fica no centro da cidade, bem na praça Sete de Setembro, vulgarmente chamada de Praça Sete, em Belo Horizonte, capital das Minas Gerais, minha cidade querida. Pois bem, Naquele momento tudo era euforia e festa. Mandados pra casa no meio da tarde, sem prejuízo no salário!?! Era bom demais pra ser verdade. Eu mesmo fui pra uma happy hour leg...