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Tudo Tem Dois Lados

Acordei com a mais forte sensação de que preciso trabalhar em outra área que não seja da segurança pública. Quero acordar com a tranquilidade de que não estou saindo de casa com um alvo desenhado nas minhas costas. Ser policial é viver com essa mórbida sensação, de que algo horrível pode acontecer simplesmente porque esse profissional quer desempenhar bem sua missão, e trabalhar corretamente é pescar um inimigo público por dia, há dias que a pescaria rende mais do que o esperado e o número de inimigos cresce. De qualquer jeito, o "polícia" é uma persona non grata em nossa sociedade.  Eu pensei "poxa! Sou escritor, posso prestar um concurso para trabalhar em alguma coisa que posso aproveitar esse dom". Meus textos não são lá grandes coisas, mas as pessoas aprovam. Meto-me a escrever uns contos, dou umas canetadas em alguns poemas, já fiz duetos com outros poetas, tenho até um blog... As pessoas gostam das coisas que escrevi, por causa desses textos em prosa e e...

Não serei o poeta de um mundo caduco.

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Estou preso na vida, e desconheço quem odeia essa prisão. Vez ou outra, ouço falar de alguém que quis se libertar, fugir rasgando as grades desse cárcere e dando adeus à prisão "vida", mas, no fundo, tenho certeza que algumas dessas pessoas esperavam ser reincidentes e voltar para a prisão. Coisa que não acontece jamais.  Pela janela dessa cadeia posso ver apenas uma paisagem, vasta, infinita, que vai escurecendo como um eterno crepúsculo; o passado. Olho para fora da vida e vejo o passado tão límpido, tão nebuloso, tão... tão... tão passado que chego a me enjoar. Queria que houvesse outra janela, na parede oposta, onde eu pudesse ver a outra paisagem; o futuro. Talvez, vendo as coisas por esse outro lado da cadeia eu pudesse compreender certas coisas. Coloco o ouvido encostado à parede e tento escutar o que vem do futuro... ruídos incompreensíveis, nada mais.  Às vezes me deito e olho para o teto presente. Como se fosse uma película tão rápida... a velocidade é ...

Como Se Fosse A Primeira Vez

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Como Se Fosse A Primeira Vez Meu casamento termina todos os dias. Todas as manhãs, quando saio para o trabalho, beijo minha  esposa; sinto-me entrando numa separação, processo este que não quero, não quero me separar; divorciar-me; distanciar-me, rompimento de relação estabelecida. Entro no trânsito dos carros e ônibus, como se estivesse e entrando num tribunal, há pessoas me julgando, observando meus atos, policiando meus caminhos, uma pressão torturante que faz com que me sinta desejoso de retornar para casa, para meu lar. Chego ao local de trabalho e começo a pensar em o que fazer para reconquistar minha esposa; “e se ela não estiver lá quando eu voltar? E se ela não voltar antes que eu durma?”. Envio uma mensagem desejando bom dia. Mais tarde, ligo pra saber se ela almoçou, ou se bebeu água (ela se esquece de tomar água). Na hora do almoço, envio uma música que gostamos e pergunto onde ouvimos aquela canção pela primeira, o que estávamos fazendo quando aquela balada t...

SOLIDÃO

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SOLIDÃO  É assim...  Ausências de nós  Mudando o silêncio de lugar  O silêncio daqui pelo batido  Surdo do meu coração acelerado  Deste quarto em que estou  Pensando em você,  Querendo te ver.  O silêncio soa como  Chamando seu nome  Querendo carregar você no colo,  Mas não tem você.  Só eu, tateando o silêncio,  Escutando as paredes  Dizerem "estás só".  Por Paulo Siuves 

ESCREVIVÊNCIAS : Feminino,Vidas e Vícios

Mantenho uma página no Facebook e escrevo com rara frequência para ela, uma página dedicada à paternidade. Comecei meu texto mais recente assim; “Os vícios são uma praga na vida da gente. Fumei por muito tempo e, esse ano, completarei dez anos livre de nicotina...” e realmente não fumei até hoje (espero nunca mais ceder àquilo). Alguém sabe me dizer qual ambiente cheira à nicotina mais que delegacia de polícia civil? Entro numa delegacia e o cheiro característico daquele ambiente é o da nicotina, do cigarro, não de fumaça de cigarro, mas de resíduos da nicotina. Parece que fica impregnado nas paredes, nas cortinas, em todo canto. Houve apenas uma vez em que entrei numa delegacia e não senti esse cheiro. Ela era conduzida por uma mulher, uma delegada. Francamente, hoje não me lembro da aparência da delegada, mas me lembro da aparência da delegacia que ela conduzia, uma repartição de polícia totalmente diferenciada. Era início dos anos dois mil, ainda não era fácil encontrar mulheres em...